Yuri Trafane fala sobre Neomarketing

  • 21/03/2017

 

Desde que o mundo está cada vez mais conectado as novas tecnologias estão mudando rapidamente a relação entre marcas e consumidores e o modo como eles vivem no dia a dia.

Para acompanhar essas mudanças na velocidade em que elas acontecem o profissional de marketing precisa se renovar e desenvolver soluções criativas ao mesmo tempo em que analisa dados para entender e se adaptar a essa nova relação entre as empresas e seu público alvo.

Yuri Trafane, especialista em gestão mercadológica e professor da Inova Business School, traz tendências do marketing para marcas e empresas no futuro. Veja na entrevista:

 

Qual a importância de todas as pessoas dentro de uma empresa se relacionarem diretamente com o marketing?

Uma empresa só sobrevive quando ela gera valor para o cliente e consegue capturar esse valor, que nada mais é do que o marketing. Não é só um departamento que cuida disso, é todo mundo. Se eu sou da área de compras e eu compro matéria prima, a matéria prima que eu compro vai ter um impacto na qualidade do produto, que vai ter um impacto no consumidor. Se eu sou da área de RH e treino as pessoas que atendem o cliente e esse profissional não é bem treinado eu perco cliente, então todas as áreas, de alguma maneira, trabalham juntas para mobilizar as energias para a empresa. Todos os funcionários são, de alguma forma, elementos que ajudam a construir a identidade de uma empresa, principalmente na era digital.

Uma das áreas que mais sofreu impacto nessa crise foi o Marketing, por quê?

Eu acho que o Marketing sofreu mais impacto não só nessa crise, mas nos últimos 10 anos pelas novas tecnologias. Hoje você comercializa produtos pela Internet, coisa que não existia há dez anos atrás. Através da internet você faz propaganda em redes sociais, em aplicativos que você não fazia há dez anos atrás. Através do Big Data você entende o seu consumidor e analisa dados de uma maneira que você não analisava há dez anos. Então, há dez anos o mundo do marketing não tinha a maior parte das ferramentas que são utilizadas nos dias de hoje. A tecnologia da informação mudou o comportamento das pessoas e quando muda o comportamento, muda o consumo e se muda o consumo, muda a área de marketing. Então a área de marketing é muito impactada. Na crise especificamente a área de marketing também é impactada porque o marketing é responsável por trazer cliente novo. E o que é crise? É você não ter cliente novo. Então se tem uma área que está sofrendo pressão no mundo de hoje é o marketing.

Quais as competências que você acha que um profissional de marketing deve ter para ser bem sucedido?

Ter uma percepção aguçada de oportunidades, ser uma pessoa criativa e empreendedora e fazer as coisas acontecerem. Recentemente tem uma competência que não fazia parte do hall de competências de um profissional de marketing, ou que fazia parte de uma maneira secundária e que hoje é central: saber lidar com números. O profissional que não souber fazer análises vai ter dificuldade de entender esse novo contexto do marketing. Se você não gosta de números e matemática, talvez você não tenha espaço no futuro.

Existe uma nova função na área de marketing, o Growth Hacking, você acha que é uma tendência para os próximos anos?

Eu acho que é sim, mas eu vejo um desafio muito grande. Eu conheço pouca gente no mundo que tenha o raciocínio lógico tão afiado quanto a criatividade. Geralmente são pessoas diferentes, as pessoas que são mais criativas, que gostam mais de relacionamento humano não são pessoas muito afeitas, geralmente, ao mundo das exatas. E as pessoas que são mais exatas não são muito criativas. O que pode acontecer? É eu ter um departamento com pessoas diferentes que se complementam, um fazendo análise, um sendo mais criativo. Eu tenho dúvidas mesmo se a gente vai conseguir fazer alguém ser matemático e criativo ao mesmo tempo. Eu acho que é exigir demais da mesma pessoa, eu acho que não faz parte da mesma natureza. Mas quem sabe não começam a nascer pessoas diferentes e que sejam criadas de formas diferentes.

E para o mercado de marketing para eventos, quais são as tendências?

Cada vez mais, as pessoas se relacionam a distância, através das redes sociais, mas o ser humano quer estar junto. O que é um evento se não um momento em que você agrega diversas pessoas juntas? Então eu acho que o papel da área de eventos vai ser contrabalançar o excesso de separação que as pessoas estão, em função desse contato muito virtual, e criar oportunidades para que as pessoas estejam juntas e interagindo. O fato de estar junto, de sentir as outras pessoas, de sentir a vibração do ambiente, isso tudo é importante. E para isso, as pessoas que trabalham com eventos vão precisar, cada vez mais, pensar em multipercepção. Cada detalhe é importante, o cheiro que as pessoas vão sentir, o sabor, a temperatura, o que elas vão ouvir, o que elas vão ver para ser uma experiência  de verdade, que contemple todos os sentidos da pessoa. Cada vez mais os eventos vão ter que dar conta de criar um bem estar em todos os sentidos.

Uma ferramenta que tem sido bastante utilizada para fazer propaganda é o Whatsapp, o que você acha disso?

As gerações antigas não gostam porque elas se sentem invadidas, mas uma coisa que eu tenho descoberto lendo pesquisas e conversando com algumas pessoas é que os jovens não ligam. Eles se sentem menos invadidos, eles aprenderam a filtrar. O que eles gostam, eles gostam e o que eles não gostam eles filtram. Mas eu acho que de todas as mídias sociais a mais perigosa de invadir é o whatsapp. Ao olharem seus e-mails ou facebook as pessoas têm até a sensação de que estão em uma área pública, mas no whatsapp você está num grupo de pessoas que você conhece e que você escolheu estar, então invadir por aí é meio complicado.

Eu acho que existe uma exceção, que é invadir quando você tem certeza que você está falando de uma coisa relevante para alguém. Por exemplo, eu gosto de vinho. Se eu receber um whatsapp falando de uma oferta de vinho que seja legal, por mais invasivo que seja eu gosto porque é algo que tem a ver comigo. Então eu acho que a grande palavra, seja no whatsapp, seja em qualquer mídia social, ou qualquer mídia é relevância. Se for relevante, se estiver falando para alguém de algo que essa pessoa goste, pode invadir. Se você estiver falando de algo que é pouco relevante para ela, toma cuidado porque você pode gerar antipatia. Por isso a questão do Big Data é tão importante, porque se você sabe que está atingindo a pessoa certa, que gosta daquilo e que aquilo é relevante para ela você não vai criar um inimigo nunca. Agora se você invade um ambiente que a pessoa acha que é um ambiente privado e fala de alguma coisa que é irrelevante para ela você vai perder pontos. A palavra-chave é relevância.