Solo fértil para o empreendedorismo

  • 03/08/2017

Em 1842 Campinas foi reconhecida como cidade. A estrutura e a forma tomada durante o plantio de açúcar haviam preparado o terreno para a chegada do café e a cidade já contava com uma organização produtiva, urbana e administrativa. O Oeste Paulista foi o principal responsável pela expansão cafeeira no país e Campinas era a protagonista, ficando conhecida como “capital agrícola da província”. Na época o município comportava mais de 300 fazendeiros que chegaram a exportar 1,3 milhões de arrobas de café. Campinas era, então, a cidade paulista mais rica e populosa – na década de 1870 a população chegava a 33 mil pessoas, ultrapassando a capital com 26 mil -, tornando-se uma metrópole agrícola.

Com a mentalidade da Revolução Industrial e investimentos de cafeicultores locais é fundada a Ferrovia Paulista, são abertos restaurantes com nomes franceses e italianos, louças chinesas e móveis egípcios. Além disso, a cidade sediava quatro representações consulares de países estrangeiros e, também, se tornava palco da fundação do Instituto Agronômico de Campinas. Um marco para o avanço da tecnologia da região, o IAC foi fundado em 1887 pelo Imperador D. Pedro II para pesquisas sobre o café, em 1279 hectares de terras, onde ficam a Sede, o Centro Experimental Central e 12 Centros de Pesquisa distribuídos entre algumas cidades da região. 

Com a queda do café e ascensão do algodão o Instituto Agronômico teve papel definitivo para que a commodity se tornasse competitiva em nível mundial. É nesse momento que a vocação da cidade para se transformar no berço de ciência, tecnologia e inovação começa a ser esculpida. Além disso, o cenário industrial da cidade estava aquecido: multinacionais como Rhodia, 3M e Bosch se instalaram na região e colaboraram para acelerar o crescimento de base industrial.

O desenvolvimento de indústrias na região fez com que a especialização da mão de obra regional fosse indispensável. Foi dessa demanda que, em 1966, surgiu a Unicamp, criada a partir do Projeto Zeferino para atender às necessidades de profissionais do setor produtivo, e nunca mais perdeu o bom relacionamento com o meio empresarial.

DNA: Empreendedorismo e inovação

Desde então a relação entre Campinas e a tecnologia de ponta e inovação só foi criando laços cada vez maiores. Atualmente são cinco parques tecnológicos na cidade: o CPqD, criado em 1976; o Centro da Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer, de 1982; a Companhia de Desenvolvimento do Polo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec), de 1991; o Technopark, de 1997; e o Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, de 2008. Segundo dados informados pela Inova, Agência de Inovação da Unicamp, são mais de 400 empresas relacionadas à universidade ativas e 21.995 empregos gerados, com faturamento anual de mais de três milhões de reais.

Outro aspecto notável na região é a cultura empreendedora, o Índice de Cidades Empreendedoras, promovido pelo Endeavor, elegeu Campinas como a 3ª cidade mais empreendedora do Brasil, ficando atrás apenas de São Paulo e Florianópolis, ambas capitais de estado. O estudo avalia sete pilares para embasar a classificação: mercado, infraestrutura, acesso a capital, inovação, capital humano, cultura e ambiente regulatório, todos fundamentais para um ecossistema saudável para criação de empresas.

Quanto às questões legislativas, o Executivo Municipal dispõe de alguns incentivos fiscais para startups. A lei 14.920 prevê isenção total do IPTU, em empreendimentos com até 120m² de área construída e a redução da alíquota do ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) para 2%, sobre a receita tributável de prestação de serviços no município de Campinas. De acordo com o professor Milton Mori, diretor-executivo da Inova Unicamp, o objetivo é trazer a Campinas startups de base tecnológica. “O Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia abaixou essas taxas o máximo possível para atrairmos mais startups para a cidade. Essas empresas podem trazer bons negócios para a região e ter competitividade não só em Campinas, mas também no País inteiro e América Latina, é esse o nosso foco”.

Para conferir a matéria completa acesse a 1ª edição da Expo Magazine: http://issuu.com/expo_magazine/docs/revista_expo_magazine_jun_set_2017_