Growth Hacker: o profissional de marketing do futuro

  • 03/10/2017

 

O universo digital está mudando de vez o comportamento do consumidor. E agora? O que o mercado espera do profissional de marketing? Descubra com Yuri Trafane.

 

Se você é profissional de marketing sabe que essa é uma das áreas que mais se alteram e são afetadas por variáveis externas dentro de uma empresa. Uma crise econômica, na qual a escassez de novos clientes vira algo corriqueiro, a responsabilidade de buscar cada vez mais alternativas aumenta. Além disso, nos últimos dez anos a área de marketing foi afetada, também, pelo avanço intenso da tecnologia e a comercialização de produtos e propagandas em redes sociais e aplicativos na internet.

A tecnologia da informação mudou o comportamento das pessoas e quando há mudança de comportamento afeta diretamente a maneira de se consumir e se muda o consumo, muda, também, o marketing. O grande desafio é perceber quais são as mudanças no processo mercadológico e conseguir reagir a tempo. É necessário, mais do que nunca, conhecer e observar o consumidor e para isso é preciso adotar novas ferramentas de análise.

O Big Data (conjunto de dados armazenados), amplamente utilizado por especialistas de marketing, e a análise do número infinito de informações que são geradas pela internet chegaram para transformar completamente até o escopo de trabalho do marketing. Inclusive, segundo a consultoria Gartner, a previsão é que em 2017 diretores de marketing passem mais tempo trabalhando em tecnologia do que diretores de informação. Para Yuri Trafane, coordenador do curso de pós-graduação de Neomarketing da Inova Business School, o especialista do marketing do futuro não tem somente a criatividade como ponto forte. “O profissional de marketing que está nas novas empresas vai ter que ser, ao mesmo tempo, criativo e uma pessoa orientada para a visão analítica do mercado” afirma.

O Growth Hacking é uma alternativa que começou a ser utilizada para agregar, de uma vez por todas, essa capacidade analítica no departamento de marketing. O termo significa encontrar oportunidades, por meio de pesquisas e experimentos, para criação de estratégias específicas que resultam na aceleração de resultados e crescimento da empresa.

O conceito, criado pelo especialista Sean Ellis, já existe desde 2010 fora do Brasil e é bem mais conhecido nos Estados Unidos, mas algumas empresas brasileiras, como a startup Conta Azul, de Santa Catarina, começaram a sair da zona de conforto e mudar sua estratégia básica de atuação. Essas empresas se beneficiam da metodologia para fazer ações fora dos canais de mídia tradicionais, com custos mais baixos e mais fáceis de mensurar o retorno do investimento, um dos fatores pelos quais é considerada uma maneira de driblar a crise e alcançar metas e crescimento esperado.

Segundo Trafane, a estratégia não se restringe apenas a startups, qualquer empresa cujo cliente tenha acesso a internet pode adotar a metodologia. “A ideia é criar novas formas de capturar a atenção do prospect e convertê-lo em cliente, ou intensificar as compras de alguém que já é cliente. Mas as empresas ligadas a negócios digitais ou que tenham um público especialmente conectado, podem se beneficiar mais intensamente”, afirma.

Uma pessoa que trabalha com Growth desenvolve estratégias e táticas na web para crescimento do faturamento de uma empresa. Esse profissional estuda os hábitos de consumo e navegação busca oportunidades a partir dessa compreensão e do conhecimento da proposta de valor da empresa e cria atividades que alavanquem os resultados. Para isso é preciso que a pessoa tenha um perfil misto entre humanas e exatas. “Esse profissional deve conjugar uma capacidade analítica baseada em habilidades quantitativas com criatividade e visão do comportamento dos clientes. Ou seja, deve ser uma pessoa que consegue conciliar uma visão qualitativa com uma visão quantitativa do mundo. Ser hard e soft” completa o professor.

O perfil é bastante específico e não é, necessariamente, comum encontrar no mercado um profissional que tenha uma visão quantitativa e qualitativa, ao
mesmo tempo. Por esse motivo, uma alternativa a se pensar é criar um time mesclado com alguns profissionais mais analíticos e outros mais criativos. De
acordo com Yuri Trafane para que isso funcione é preciso ter flexibilidade. “Os profissionais envolvidos precisam ser abertos a uma forma de pensar diferente da sua e ter disposição para trabalhar junto na criação de soluções consistentes estrategicamente e ao mesmo tempo surpreendentes”.

 

Para mais textos como este, confira a 1ª edição da Expo Magazine