Por que investir em Portugal é a nova onda

  • 09/10/2017

Saiba mais sobre o estreitamento comercial da região de Campinas com Portugal em busca de atrair novos investimentos e conseguir uma porta de entrada para o mercado da União Européia

 

Com a recuperação econômica de Portugal, o Brasil entrou para ficar em seu radar de negócios. O país superou a crise com medidas austeras, mas efetivas e, hoje, a economia tem mostrado resultados positivos que atraem investidores do mundo inteiro, inclusive da região de Campinas, que enxergam em Portugal uma grande oportunidade nas áreas de inovação e tecnologia.

Há alguns anos atrás o governo de Lisboa foi buscar apoio, principalmente no exterior, oferecendo acesso a investidores e oportunidades para jovens empreendedores. Assim como Campinas, a cidade possui a incubadora Startup Lisboa, escola para 250 empreendedores que geraram mais de 800 empregos, não é a toa que a cidade recebeu o prêmio de “Região Europeia Empreendedora do Ano”, em 2015, pela Comissão de Regiões da UE.

O ecossistema da capital é atraente para o jovem empreendedor, destino certo para investimento em pequena e média empresa, sobretudo as startups, de todas as partes do mundo. Um bom exemplo são as negociações que caminham entre a região de Campinas e a cidade de Fundão, em Portugal, para criar um Centro de Negócios que receba empresas brasileiras de tecnologia que tenham interesse em investir em Portugal como porta de entrada para a União Européia.

Motivos para que esse interesse seja alto não faltam. O nível de escolaridade no país é alto, o custo de vida é menor, os salários mais baixos que em outras áreas metropolitanas europeias e o capital inicial exigido também é mais atrativo. Além disso, de acordo com o World Economic Forum, Portugal é o segundo país europeu onde é mais fácil abrir uma empresa, o tempo estimado é de apenas três dias para aptidão de atividade comercial.

Benefícios como o Golden Visa, visto de permanência concedido através de determinados tipos de investimento, são um dos principais atrativos. Para a obtenção do visto o empresário deve investir no mínimo um milhão de euros em empresas ou aplicações em Portugal ou então fazer a aquisição de um imóvel no valor de 500 mil euros - opção bastante vantajosa tendo em vista que o país não sofreu especulação imobiliária há pelo menos 16 anos. 

Para o presidente do Conselho da Comunidade Luso-Brasileira de São Paulo, Antônio Almeida e Silva, o brasileiro tem visto um cenário com oportunidades cada vez melhores. “O que atrai o brasileiro é, sobretudo a estabilidade que Portugal tem hoje, a segurança, um país seguro, sem violência e uma qualidade de vida muito boa. Portugal, fica situada na entrada da Europa, faz fronteira com os principais países da Europa, o que lhe dá mais atração ainda. Uma pessoa que mora lá está perto de tudo, perto do velho continente e num país que tem estabilidade” justifica.

Portugal foi considerado pelo Peace Index 2016 como o 5o país mais pacífico do mundo. “Portugal não tem os problemas que outros países têm de terrorismo  e violência. É um país muito acessível, muito adequado a esse ambiente” completa Almeida e Silva.

Caminho inverso

 

Há cerca de cinco anos atrás o caminho era inverso. Notava-se um movimento intenso de jovens portugueses interessados em viver no Brasil, em busca de novos horizontes. Mas a realidade atual não é a mesma. Desmotivados pela intensa crise econômica e política que o Brasil enfrenta esse fluxo cessou momentaneamente, mas a tentativa é de retomada da confiança e atração de capital estrangeiro para a região.

Campinas, por exemplo, tem feito um trabalho forte para oferecer condições boas para investimento. É uma sede de região metropolitana com 20 cidades, um dos maiores PIBs do País, possui mão de obra especializada e indústrias de tecnologia de ponta.

Além disso, existem políticas tributárias com ISS e IPTU reduzidos para a instalação de empresas e fazer com que a cidade se posicione como porta de entrada para o Mercosul. De acordo com André von Zuben, Secretário de Desenvolvimento Econômico, Social e de Turismo, esses fatores favorecem investimentos e a troca de negócios entre os dois países. “Portugal tem muita proximidade pela nossa colonização, línguas, tradições e cultura. Isso facilita muito também para que a gente possa ter em Portugal uma porta de entrada para o mercado comum europeu” afirma.

Para o Secretário o foco é conseguir que empresas estrangeiras se instalem na região. “É o que mais nos interessa porque gera empregos e consolida o investimento de uma forma mais permanente, vem para ficar” ressalta. Mas relacionamentos comerciais de importação e exportação também são bem vistos, sempre deixando o comércio vantajoso para os dois lados.

O estreitamento de relações com países estrangeiros é uma atitude que vem sendo tomada pela prefeitura de Campinas há algum tempo, e algumas delas já estão um pouco avançadas. 

É o caso da China, por exemplo, que acaba de inaugurar uma fábrica da BYD, empresa fabricante de painéis solares e ônibus elétricos, na região, gerando 360 novos empregos. “Temos uma ativação forte com outros países. Recebemos o consulado da África do Sul e Estados Unidos. Temos várias ações que vão nessa direção” afirma.

Estreitar laços entre diferentes países traz benefícios no âmbito comercial, mas também é possível aproveitar o patrimônio cultural, histórico e educacional de
cada diferente país.

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